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Entrevista Folha Espírita

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Entrevista Folha Espirita: Deve a psicoterapia considerer a
reencarnação?


1- Qual é o limite da crença do psicólogo diante da crença do paciente?
O artigo “Deve a psicoterapia considerer a reencarnação?” (Should
psychotherapy consider reincarnation?


http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22297317), que recentemente publiquei
no Journal of Nervous and Mental Disease, discute essa importante questão.
Há um crescente reconhecimento da necessidade de se levar em conta o
ambiente cultural e os sistemas de crenças dos pacientes na psicoterapia.
Respeitar as opiniões e realidades subjetivas do paciente é uma necessidade
terapêutica e um dever ético, mesmo que os profissionais não compartilhem
das mesmas crenças. As informações obtidas na psicoterapia devem ser
sobre o que os pacientes acreditam, o que exige conhecimento de
estratégias objetivas para otimizar o enfrentamento e a superação de suas
dificuldades com base neste sistema de crenças.


2- A população brasileira está aberta aos conceitos reencarnacionistas?
Há dados sobre a crença na reencarnação em outros países?


Sim. Em todo o mundo há um grande número de pessoas que crêem na
reencarnação. Segundo dados do World Values Survey, tal crença é
professada por 22,6% da população nos países nórdicos, 27% na Europa
Ocidental, 20,2% na Europa Oriental; já nos Estados Unidos o número chega
a 27% (Gallup, 2003) e no Brasil apenas 44% da população não acredita na
reencarnação (Data Folha, 2007).


3- Como as abordagens psicoterápicas trabalham com pacientes que
acreditam em vida após a morte?
Os métodos usados em reconhecidos enfoques psicoterapêuticos, tais como
o behaviorismo de Watson, psicanálise de Freud, ou a terapia cognitivacomportamental de Beck não levam em conta a crença na vida após a morte,
professada pela maior parte da população mundial (World Values Survey). A
crescente experiência no âmbito psicológico aponta para a importância do
surgimento de abordagens terapêuticas não-dogmáticas que levem em conta
e valorizem as realidades sócio-culturais das grandes e pequenas
comunidades. Muitas pessoas acreditam que as suas atuais dificuldades
possam estar relacionadas a ocorrências traumáticas em vidas anteriores. É
fundamental que os psicoterapeutas respeitem essas crenças subjetivas
trazidas pelos pacientes. Assim como qualquer pessoa pode procurar
tratamento psicológico alinhado aos seus valores e crenças, a reencarnação
deve ser levada em conta pelos psicoterapeutas, que devem procurar
formação adequada em abordagens coerentes e eficazes sem misticismo ou
práticas divinatórias, tal como mostrei no artigo “Should psychotherapy
consider reincarnation?” – conforme nossos conhecimentos, a primeira
publicação científica sobre a interface equilibrada entre reencarnação e
psicoterapia.


4- Trabalhar com a crença dos pacientes favorece melhor resultado em
tratamentos psicoterápicos?
Certamente! Parte fundamental da cultura, as crenças religiosas têm papel
importante na formação de juízos e no processamento de informações,
auxiliando muitas pessoas a organizarem ou compreenderem eventos
dolorosos, caóticos e imprevisíveis que podem gerar sintomas diversos. O
coping (manejo) religioso é muito utilizado no enfrentamento de eventos
traumáticos e na maioria das vezes, conforme experiência clínica e centenas
de publicações, o efeito é favorável a superação. Por exemplo, a crença na
reencarnação – envolve um ciclo contínuo de aprendizado e evolução através
das vidas sucessivas – é encontrada ao longo da história humana em
diferentes épocas e culturas. Do ponto de vista dos pacientes
reencarnacionistas, as dificuldades são transitórias e podem ser superadas
quando suas lições que as adversidades trazem são absorvidas.


5- Em quais momentos a religião pode interferir negativamente na vida
do indivíduo?
O coping religioso pode também trazer efeitos negativos em alguns casos,
quando por exemplo, o indivíduo acredita que está sendo castigado por
Deus, ou que merece sofrer porque fez algo imperdoável. Por isso, os
profissionais devem estar preparados para o bom manejo terapêutico dos
sistemas de crenças que podem tanto favorecer o sofrimento quanto a
promoção da saude e do crescimento.

  1. Quais os riscos que os pacientes correm com profissionais sem
    formação para abordar adequadamente a reencarnação durante a
    psicoterapia?
    Infelizmente o risco é importante. Recentemente um artigo no The New York
    Times (Lisa Miller) afirmou que o interesse na reencarnação está em
    ascensão, e os responsáveis pela divulgação não são monges ou teólogos,
    mas terapeutas. Esta notícia nos indica uma abertura terapêutica saudável,
    mas também uma preocupação com ‘falsos-terapeutas’ ou profissionais que
    não possuem um treinamento clínico adequado para conduzir a psicoterapia.
    Atribuir significados aos sintomas de ansiedade, desajuste, fobia específica
    ou estresse pós-traumático, alinhados aos conteúdo de vidas passadas – se
    essa for a crença do paciente – pode favorecer a atenuação ou libertação dos
    sintomas.
    7- Há linhas de pesquisas que investigam a reencarnação? Quais as
    principais?
    Além dos estudos sobre lembranças espontâneas de crianças de suas vidas
    passadas (Stevenson, 1974; Haraldsson et al., 1975; Stevenson, 1987;
    Haraldsson, 1991; Stevenson, 2000; Tucker, 2005; Keil et al., 2005), várias
    outras linhas de pesquisa têm encontrado evidências sugerindo vida após a
    morte, incluindo-se lembranças traumáticas espontâneas de vidas anteriores
    com marcas congênitas correspondentes (Stevenson, 1993; Stevenson, 1997;
    Keil et al., 2000 ; Stevenson, 2001; Pasricha et al., 2005), xenoglossia
    (conhecimento de um idioma não aprendido, Stevenson; 1984), casos
    terapêuticos de regressão com detalhes verificáveis (Wambach, 1978),
    experiências de quase morte e experiências fora do corpo com detalhes
    verificáveis (Morse et al., 1991; Greyson, 2000; Van Lommel, 2001; Athappilly
    et al., 2006; Greyson, 2007), e psicografias recebidas via médiuns com
    detalhes particulares não conhecidos do médium e dos familiares vivos antes
    de receberem as mensagens psicografadas (Severino, 1994). Contudo, a
    psicoterapia não tem como objetivo provar algo, mas deve considerar a crença
    dos pacientes, independentemente das razões que os levam a acreditar em
    reencarnação, tais como: vestígios da era pré-cristã, influências de
    escrituras/filosofias ocidentais e asiáticas, necessidade de encontrar uma
    explicação plausível para questões existenciais, experiências e recordações
    pessoais de vidas passadas, ou enquadre cognitivo para lidar com a dor da
    perda de entes queridos. Como todos, os reencarnacionistas buscam
    tratamentos psicológicos que levem seus sistemas de crenças em
    consideração. Aceitar a realidade subjetiva e os pontos de referência do
    próprio indivíduo que busca auxílio são preditores de resultados terapêuticos
    satisfatórios.
  2. Qual a opinião dos conselhos de classe sobre abordar as crenças
    religiosas dos pacientes em psicoterapia?
    Diante das centenas de artigos científicos a respeito da importancia de
    considerar a crença dos pacientes, o Conselho Federal de Psicologia em
    nota pública esclarece que “A Psicologia é uma ciência que reconhece que a
    religiosidade e a fé estão presentes na cultura e participam na constituição da
    dimensão subjetiva de cada um de nós”. Vale ressaltar que, a integração da
    crença reencarnacionista durante a psicoterapia requer profissionalismo,
    conhecimento e capacidade de alinhar as informações coletadas sobre os
    valores do paciente para o benefício do seu processo terapêutico.
  3. De que forma o psicólogo pode abordar a questão da reencarnação
    com seus pacientes?
    Estar confortável para abordar com o paciente temas sobre espiritualidade e
    religiosidade como a reencarnação é o primeiro de uma série de passos para
    que o processo terapêutico siga as diretrizes éticas. Iniciaremos em agosto
    de 2012 o curso Reencarnação e Psicoterapia: como abordar eticamente as
    crenças espirituais dos pacientes que buscam psicoterapia (veja programa
    completo em www.julioperes.com.br). Entre outras perguntas frequentes dos
    psicoterapeutas, esclarecemos no curso: Quais são os limites profissionais
    quando temas religiosos e/ou espirituais são trazidos? Como psicólogos
    podem discutir reencarnação com seus pacientes? Quais são os riscos e as
    contra-indicações desta prática? Temos como objetivo fornecer aos
    psicoterapeutas conhecimento e treinamento de estratégias/manejo para
    abordar eticamente os pacientes reencarnacionistas que buscam psicoterapia
    e otimizar o enfrentamento de suas dificuldades com base neste sistema de
    crenças.
    10- Para quem o curso Reencarnação e Psicoterapia: como abordar
    eticamente as crenças espirituais dos pacientes que buscam
    psicoterapia e dedicado e quais serão os professores?
    O curso é destinado a Psicólogos, Médicos e Estudantes das respectivas
    áreas e os professores são Dra. Maria Julia Prieto Peres, Dra. Juliane Prieto
    Peres Mercante e Dr. Jul
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